Obsecre

Quando deito ali pelas três da madrugada, começo a pensar na força persuasiva que tenho sobre as pessoas, em contrapartida, também fico pensando no quão vulnerável elas me tornam. Alguns sabem dessa vulnerabilidade e forçam um escudo em minha volta, algo parecido com uma proteção forjada. Eu não reclamo, é natural. Ligo um pouco de Cícero no fone e passo a imaginar todas àquelas letras acontecendo na vida real. Eu sei que isso é patético, mas gosto de ouvi-lo durante minhas insônias. Depois eu começo a somar os títulos de Nietzsche ou Bukowski na tentativa de me satisfazer sozinho e me tornar independente das pessoas. Isso porque eu sei que viver sozinho é algo que se chega mais próximo da felicidade. 
Continha em mim vontades e sensações guardadas em uma urna com os dizeres: to understand. Isso era tão patético quanto minha incapacidade de descobrir o que aquilo era. Meus pés eram ilacrimáveis, mesmo sabendo que qualquer caminho que fosse seguir, tinha necessidade de agonizar até amenizar. 
Eu não gosto da palavra impossível, mas eu sei que as pessoas traçavam limites e empasses para tudo. Era algo tão necessário quanto beber dois litros de água diariamente e eu só bebia um ou dois copos. O que eu pensava e o que falava serviam de tendões ligados do mundo de Rimbaud à pura realidade rotineira. Mesmo tão independente, culpei de tudo a vida inteira me ditando perfeito. Culpava as pessoas por suas irregularidades e falácias, culpei a lua pela claridade que exercia quando tudo parecia escuro pra mim, também culpei o sol por me tornar tão dependente dele para me sentir vivo e culpei minhas palavras por serem tão doloridas quanto papéis regados de álcool e um palito aceso de fósforo, espirrando fogo em mim. Cuspi de volta radiatividade até desintegrar todas essas culpas no espaço em que vivo.
Sei que hoje respiro isso e tenho, como única particularidade e defeito: culpado. Sou tão espectador de um ônus criado de um lugar desconhecido que consigo me juntar aos outros e me mostrar tão normal para um anormalidade tão presente em mim. Isso me fere, como morder a própria boca até senti-la sangrar entre os dentes. E eu gosto tanto dessa irrealidade, que qualquer desenho moderno me atrai para essa modernidade e toda imagem real de alguém me causa repulsa e me torna uma guarida de sentimentos acomodados. Sei que com pouco esforço, seria capaz de dissolver um rivotril em meu cérebro e acabaria com toda essa melação.
No entanto, sei que todo mundo quer saber como você está ou com quem você está dessa vez, ou pra julgar se concordam ou não, ou pra rirem da sua cara lavada e pichada no meio da praça, ou enfim, para suprir o pão de cada dia que o Ego tanto roga.

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