Rubicundo

Um dia vou escrever sobre as ondas carregadas de fúria que levaram toda felicidade que um dia pastou em mim. Desde que aterrissei meu dirigível nessa terrinha, pude perceber a insignificância que gerei. Lembro que causei. Agora esses bichinhos de duas pernas pregam os olhos em mim e engrossam o rosto prum mundo tão forçado.
Dizem que quando a gente escreve e/ou fala tudo no diminutivo, a vida fica toda fantástica e carregada de magia, cês acreditam nisso?
Diziam isso pra mim o tempo inteiro e qualquer citação mesquinha de qualquer mesquinho vivo, eu custava falar pra, involuntariamente, distorcer essas teorias banais. Sugestivamente, eu olhava com finos olhares e acendia a pupila pra denotar alguma dica de sobreviver entre os restos de mortais que teimam viver. Isso me lembrava uma dor de cólica. Sabe, aquelas menininhas dançando e se contorcendo muito contemporâneo? Então. Aquilo é uma arte sem fim, aliás. Os movimentos causam uma beleza tão proporcional quanto àquela dor. Mas ai de reclamar de sofrer, de balançar uma varinha e findar aquilo num segundo. Minha mãe me disse uma vez que a mulher ao parir devolve uma parte do mundo que ela recebeu meses antes. Inclusive, essa minha mãe sabe a resposta de tudo, é toda absoluta e cheia de verdades. E mãe é mãe, né?
Ao resto das pessoas, bati as pestanas desde a puberdade e forço dúvidas frequentes e perguntas intermináveis sobre qualquer coisinha boba. Mas veja bem, quando eu era menorzinho e tinha acabado de pisar em solo terráqueo, eu brincava de pular corda decorosamente e ria um tanto muito mesmo daquilo. Hoje eu brinco de pular sentimentos, eu canso de me jogar no vazio e voltar todo caído de vácuo. Pufff! De vera, acho que sou vácuo mesmo, pelo menos um tempo atrás eu era seco mesmo, um tipo nobre com tentativa de burguês frustrado. Isso me delineava facilmente. Eu também seguia minha sombra onde ela fosse. É que acho que eu tô sempre precisando de um guia que segure minhas ideias e empurre-as pra algum caminho que julgue correto. Também não é nenhuma novidade que eu ando perdido faz tempo. Só não queria praticar aquele olhar tristonho que preenche o trânsito em um dia ensolarado.
Eu queria mesmo era acordar e voltar pra terra que nasci.

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